quinta-feira, 25 de novembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Os governantes que temos tido têm medo de quem pensa!"

Venho lendo e muito sobre a crise de alimentos em Moçambique. Venho lendo também o grito de quem pede mudanças. Uma série de erros por parte da Frelimo faz com que Moçambique grite. Mas não o suficiente.

Falando por mim, eu não vejo uma mudança nos rumos políticos nas próximas eleições. Não que o povo seja burro, como no Brasil ousamos em dizer quando discutimos políticas. O povo sabe muito bem que acontece, mas você já viu alguém votar no seu algoz? Se há a sensação nas ruas que o partido Renamo, concorrente direto da Frelimo tenha matado muito mais moçambicanos durante a guerra civil. Você votaria em quem matou sua família e amigos?

Por outro lado, também não sinto nenhuma vontade da Renamo em fazer política séria.

Estou sendo pessimista, não? Sim, eu sei que estou sendo, mas não adianta sorrir quando tudo tá errado! Li uma matéria que Moçambique pede mais ajuda aos países subdesenvolvidos. Li em outra matéria que o subsidio do pão dado pelo governo não chega as pessoas que necessitam. Para quê mais dinheiro se eles não sabem como gastar?

Minha tristeza foi saber que a crise de alimentos em Moçambique está escrita há muito tempo. Está escrita porquê não há nada que os governos querem fazer para terminar? Porque parar de ser o pobre coitado se dá lucro?

O problema da pobreza é que o ciclo vicioso dela periga justamente na ajuda. Estender a mão e pedir é mais fácil que plantar na terra...

Cem mil pessoas enfrentam a crise de fome no centro de Moçambique

De Agencia EFE – Há 1 dia

Maputo, 20 set (EFE).- Cerca de cem mil pessoas de vários distritos da província de Sofala, no litoral central de Moçambique, enfrentam a crise de fome devido à seca e às inundações registradas na região, informou hoje a imprensa local.

A província conta com pouca disponibilidade de alimentos de reserva e os afetados não têm outras alternativas para a subsistência, segundo o chefe da Direção Provincial do Ministério da Agricultura de Sofala, Nelson António.

António, citado hoje pelo jornal "Notícias" de Maputo, destaca que a situação pode se agravar quando se esgotarem os poucos mantimentos que ainda existem em seus armazéns de reserva.

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres pediu ajuda ao Programa Mundial de Alimentação para fazer frente a esta situação, que pode afetar no período 2010-2011 cerca de 63 mil famílias (250 mil pessoas) na região.

Calcula-se que Moçambique, um dos países mais pobres do mundo e que sofre crises de fome cíclicas, tenha 36 milhões de hectares de terras cultiváveis, embora só explore uma pequena parte delas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Polícia dispersa manifestantes em novo protesto em Moçambique

Site Terra Noticias

03 de setembro de 2010 • 14h38 • atualizado às 14h47

A polícia de Moçambique disparou balas de borracha e gás lacrimogêneo em manifestantes nesta sexta-feira quando os enfrentamentos aumentaram na capital do país após dois dias de protestos devido aos altos preços do pão. Sete pessoas já morreram e centenas ficaram feridas desde o início das manifestações.

Após uma calma inicial na capital Maputo, a polícia disse que manifestantes começaram a saquear os subúrbios da cidade, e as autoridades usaram balas de borracha para dispersar a multidão.

"Os conflitos se resumiram aos subúrbios de Maputo, em Benfica e Hulene. Eles estão tentando saquear. A polícia está disparando balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersá-los", afirmou o porta-voz da polícia, Arnaldo Chefo.

Não houve relatos imediatos sobre feridos.

Os protestos também ocorreram na cidade central de Chimoio, localizada 760 quilômetros ao norte de Maputo, e pelo menos seis pessoas ficaram feridas depois que a polícia abriu fogo sobre os manifestantes, informou a agência de notícias portuguesa Lusa.

"Dois dos feridos estão em estado grave", afirmou à agência Lusa Teresa Inácio, uma enfermeira no hospital provincial de Chimoio.

As mortes nos conflitos que começaram na quarta-feira incluíram duas crianças que morreram quando a polícia abriu fogo contra manifestantes que bloquearam ruas, incendiaram pneus e saquearam lojas nos mais violentos confrontos desde 2008 no país africano, que tem 23 milhões de habitantes.

O ministro da Indústria e do Comércio de Moçambique, Antonio Fernandes, calculou prejuízo de 3,3 milhões de dólares no país do sul da África, onde 70 por cento da população está abaixo da linha da pobreza.

Partidos de oposição e grupos de direitos humanos criticaram o governo, dizendo que ele falhou ao medir a indignação que causaria o aumento de 30 por cento no preço do pão, além de elevações nas tarifas da água e da eletricidade.

"O governo subestimou a situação e não consegue entender ou não quer entender que este é um protesto contra o alto custo de vida", afirmou à Lusa Alice Mabota, chefe da Liga Moçambicana para os Direitos Humanos.

Embora o país seja uma das economias que mais cresce na África, nunca se recuperou totalmente de uma das guerras civis mais sangrentas da África, que acabou em 1992. A nação tem uma taxa de desemprego de 54 por cento.

"As coisas estão voltando ao normal agora e podemos retomar nossa vida normal", afirmou a policial Julia Fortes em uma fila para comprar pão no centro de Maputo, onde a situação se acalmou nesta sexta-feira.

Alguns moçambicanos disseram que os protestos causaram grandes danos à estrutura social da cidade. Em 2008, manifestações contra os altos preços dos produtos deixaram pelo menos seis mortos no país.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um respiro

Nesse momento me bate uma grande dor no meu peito. Uma dor inconsolável, uma dor que fizeram minhas pernas pararem. Fizeram minhas pernas tremerem. E agora silencia meu coração.

Até que ponto nós temos o direito de julgar? Até que ponto nós temos a inteligência quando nos deparamos diante da ignorância. PERGUNTO EU: ATÉ QUE PONTO SOMOS CAPAZ DE DISTINGUIR A IGNORÂNCIA?

Já estou farta de voluntários que só são voluntários porque ainda nao se acharam no mundo. PORRA! NÃO IMPORTA SE SOMOS BRANCO, PRETO, VERDE, AMARELO. NÃO IMPORTA SE SOMOS HOMENS, MULHERES, BISSEXUAIS, HOMOSSEXUAIS. NÃO IMPORTA! NÃO IMPORTA A NOSSA MERDA DE CONTA BANCÁRIA. O que importa o quanto somos capazes de fazer diferente. De agregarmos o nosso melhor pra pessoas que também nos agregarão várias coisas.

Uma pausa, somente uma pausa pra todas as pessoas que nesse momento querem ser voluntários, ou querem conhecer a África. Independente do seu objetivo, respeite as pessoas. RESPEITE! Não se ache superior ou inferior. Somos muito além de labels. Somos muito do que simplesmente nos acharmos melhores ou piores. Somos muito mais do que tudo que nos propormos a falar. Somos aquilo que praticamos diariamente. Somos aquilo que fazemos. Somos aquilo que plantamos.

Palavras o vento leva. Trabalho o tempo corrói, mas nada destrói quando é feito com o coração. Quando é feito com amor!

Historia se é passada de geração por geração por pessoas. Pense nelas, viva elas, esteja com elas.

Paz pra todos,

Bia Vilela

sábado, 24 de julho de 2010

Haiti e Moçambique são os países mais ameaçados pelos desastres naturais

Segue um reportagem do jornal O Globo publicado em 10/7/2010...

"OSLO - Haiti e Moçambique são os países economicamente mais ameaçados por desastres naturais, segundo um ranking divulgado nesta quinta-feira, com resultados preocupantes também para alguns países ricos, como Itália e Estados Unidos.

A consultoria britânica Maplecroft disse que o objetivo do novo índice é mostrar o impacto econômico de desastres ocorridos entre 1980 e 2010, como terremotos, inundações, secas, deslizamentos, epidemias, tsunamis e ondas de frio e calor extremos.

O Haiti, atingido por um forte terremoto em 12 de janeiro que deixou 300 mil mortos, lidera o ranking. Mas, mesmo sem o tremor, a rotineira exposição a furacões já bastaria para deixar o país caribenho perto do topo.

Moçambique, que sofreu uma severa inundação em 2000, quando pelo menos 800 pessoas morreram e os prejuízos chegaram a 400 milhões de dólares, ficou em segundo lugar. Em seguida vieram Honduras, Vanuatu, Zimbábue, El Salvador e Nicarágua.

Entre os países industrializados, a pior situação foi a da Itália, 19a colocada no ranking, principalmente por causa de terremotos e de uma onda de calor em 2003, segundo a Maplecroft.

Os Estados Unidos, que sofrem enormes prejuízos econômicos por causa de furacões como o Katrina, de 2005, estão em 30o lugar. A China, onde em 2008 um terremoto matou quase 90 mil pessoas na província de Sichuan, ficou em 26o.

"O Katrina custou 45 bilhões de dólares, enquanto o governo chinês estimou o custo do terremoto de Sichuan em 2008 em 123 bilhões de dólares," disse Anna Moss, analista ambiental da Maplecroft, em nota.

Ela disse à Reuters que o índice se baseia em um banco de dados sobre desastres, chamado EM-DAT, com sede na Bélgica, mas leva em conta também os prejuízos econômicos proporcionalmente ao PIB, o número de mortos e a frequência dos desastres.

Segundo ela, as empresas "precisam estar cientes dos impactos potenciais," para ajudar nos preparativos contra desastres e proteger seus funcionários e investimentos.

Países como Iraque, Kuwait e Finlândia, com baixa incidência de desastres naturais, foram considerados de baixo risco econômico sob esse indicador"

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um dia em Macuse...

"Você é o meu conto de fadas, minha alegria, meu conto de fadas, minha fantasia"


"Com você, aprendi o que é o amor, e sempre que for pensar em você, carinhosamente vou dizer..."

São frases das duas músicas, uma na voz de Maria Bethânia e outra na voz de Luciana Mello. Não pára de tocar no meu youtube. Com a inspiração de ambas, que nada tem a ver com o próximo dia comercial dos enamorados, que irei postar hoje.

Estava num momento bem distante. Acho que meus dias no Brasil estão sendo tão intensos que parece que nem mais sinto o cheiro de Macuse. Parece que Macuse e Moçambique ficaram em uma dimensão de sonhos, algo que as vezes paro pensando se realmente eu vivi. Aí, nesses momentos, relembro histórias hilárias. Hoje vou contar uma que tive em Macuse, quando estávamos fazendo uma festinha de despedida, mais uma das +/- 10 que fizemos por lá antes de irmos embora (festa, diga-se de passagem, pra 2-3 o mais cheio? 4 pessoas... rs, sabe como é "carioca né?!", não se contenta em se despedir uma vez, tem que ter várias vezes, ossos sendo enterrados diariamente...).

Bem, lá estávamos nós, em um sábado do mês de janeiro, quando no dia anterior decidimos fazer uma festinha no dia seguinte. Um dos companheiros de casa convidou a peace corps que lá vivia. Então, confirmado na hora que a dita cuja iria, lá sai eu com a bicicletinha atrás de coisitas pra que a festa pelo menos não fosse tão simples.
Eram mais ou menos 17:15 horas, na estação de chuvas, umas 17:40 já estava um breu suficiente pra não se enxergar nada a um palmo de distância, sai eu de casa. Olho no meu bolso, esqueço o maravilhoso celular/lanterna que eu tinha. Pensei: vou e volto rápido, há de dar tempo.

Quem me conhece sabe que eu sou as vezes positiva demais e freak out demais também. Com a junção de ambos, passo pela tão temida ponte quase caída, chego na primeira casinha, ao qual fui buscar algum quitute. Nada, a senhora tinha parado de vender. Isso já era o sol sumindo. Desespero. Vejo que se escurecer e não conseguir atravessar aquela ponte de novo, vou ficar do outro lado, e o medo de cobras e afins começa a tomar conta de mim.

Vou ou não vou? Vou comprar ou não?! Bem, pra quem me conhece, eu nunca saio em uma missão sem completá-la da forma mais digna possível. Descobri naquele dia que haviam aberto um digamos, hotel. Lá eu acharia o que procurava (galera, escrevendo estou me sentindo até que estava comprando drogas... rs... mas era coisa normal pra se fazer jantar... hahaha). Quebrando uma das regras: não saia sozinha de casa e muito menos a noite, lá estava eu, correndo para pegar o lugar aberto.

Olho para o céu, de vermelho começa a mudar para azul petróleo. A noite estava próxima, o breu e o meu medo também. Um cachorro poderia farejar isso tudo há uma milha de distância. Meu Deus! Dá para me atender logo? Estava eu bufando esperando que o pseudo hotel, vendinha e bar, algum ser que ali trabalhasse, pudesse me atender. Quem conhece moçambicano sabe: paciência é virtude... african time, baby, african time!!

Eu, com toda a minha educação possível (não podemos ser mal educados, assim simplesmente eles não atendem), pedi o que queria. O menino diz que tem que terminar de contar o dinheiro. Eu digo, "meu filho! Tenho que ir embora agora, por favor me atenda e depois você conta o dinheiro". Acho que ele percebeu o temor dos meus olhos. Atendeu. Uma coisa que por aqui levaria não mais que alguns segundos, lá leva alguns minutos. Minutos esses que estavam mais contados que dinheiro de assalariado mínimo. Pegou tudo. Ai meu Deus! Graças! Eu penso rápido, então, na minha cabeça já estava xingando até a vigésima geração da nossa convidada.

Dei o dinheiro. "Xiiiii, tenho troco não.", me diz o atendente. "Aii, você tem troco sim! Olha aí na caixinha." Pega dali, daqui, pede pra um dos clientes e está lá. "Faltam 10 meticais." Tudo bem, queria fugir dali o quanto antes.

A mala de viagem da Elis servia e muito como nossa mala para compras. Botei tudo ali dentro, na hora de prender na bicicleta, ela cai. Sabe aquelas séries de espião aonde são contados cada segundinho? Cada gota de suor parecem um dia? Era isso que eu estava sentindo. O céu já estava escurinho. Sabia que não mais que uns 7 minutos eu teria. Sabia também que a ponte estava dali uns 5 minutos correndo (o caminho todo era de areal, sabia que iria ter que fazer um esforço acima do normal).

Aaaaaaaaaahhhh!!! Minha cabeça girava a mil. Consegui pôr as coisas na bicicleta. Na primeira pedalada, gente não é mentira, não é cena de novela ou filme americano, simplesmente a corrente soltou! Desci, me acalmei, tentei esquecer e por o mais rápido possível. Pronto. Minha barriga doía. Noite, cobras, possível louco querendo estuprar uma muzunga, um outro bicho qualquer, gente bêbada, cadê postes com luz pública?, cadê uma ponte decente? cadê pelo menos uma rua? detesto mato! detesto ter medo. Ai! Tudo isso passava na minha mente enquanto meus dedos passavam pela graxa da corrente. Aí me lembrei, me dei um soco cerebral, tinha bicicleta, porquê nunca aprendi a mexer nelas? Botei. Pronto.

Olhei para o céu. Escuro o suficienta para eu começar a chorar. E tá lá uma lágrima a sair do meu rosto. Passou vagamente o dia em que eu fiquei presa em Supinho. Subi na bicicleta. Corri. Corri como nunca na minha vida. Já não enxergava muito. Batia em buracos no areal. A bicicleta prendia. Fui pelo meio do matinho. Virei na esquerda. A ponte estava chegando na mesma proporção que a escuridão tomava conta. Ainda dava pra enxergar a 1 metro de distância. Menos pior, né? Corri. A bicicleta não conseguia subir por uma leve elevação: muito areal. Desci da bicicleta. Corri com ela. Meu Deus! Tá chegando. Minha excitação e a minha luta pela "sobrevivência" fazia me lembrar que eu já estava quase indo embora daquele país.


Para quem não se lembra ou é a primeira vez que lê o meu blog. Tinha um total pânico da ponte. Eu passava por ela igual a bebê, ou engatinhando (sim! igual a bebê!) ou de mãozinha dadas com a Elis. Sempre riam da minha cara, mas lá estava eu. Cara-a-cara com os dois maiores medos que eu tinha naquela minha vida: a escuridão e a ponte.

Vejo a tão bela e detruída ponte. Respiro. Ainda dava pra olhar três toras. Nada mais. Não dava pra ver o final dela. Mas quem liga? O importante é que eu enxergava 3 toras! Desci. Fui. Pé a pé. Desequilibrei logo no início. Continuei. Cheguei ao fim. Gritei! Campeã da Copa do Mundo! Chorei que nem criança. Quando cortei caminho pela machamba (ou garden ou plantação de milho), tive que descer da bicicleta, já não dava mais pra enxergar, mas estava há algumas dezenas de metros da "rua" que levava a minha casa. Nela tinham alguns postes com luz. Meu Deus. Apesar de ainda ter o medo de cobras em minha mente, a única coisa que se passava nesse momento era que eu tinha vencido a ponte e a escuridão. O choro era uma mistura de alegria e tristeza. O choro era a lavagem da minha alma.

Cheguei em casa. Olho para cima, aonde ficava nossa varanda. Lá estava a convidada que eu tanto xinguei na mente. Sentada tinha um outro brasileiro e a Elis. Eles conversavam em inglês. Fiquei olhando para eles. Por um bom tempo eu chorava e ficava lá embaixo olhando para eles até eu pedir ajuda. Elis desceu. Minhas pernas tremiam tanto que nem eu entendia.

Sempre sou a menina forte e destemida. Lá eu conheci uma outra Bia. Aquele que de tão forte e destemida, passou a temer uma noite que de tão escura, fazia um barulho virar leão, e uma ponte, que de tão quebrada, me fazia a andar nela como se fosse uma criancinha.

Ah, a festa terminou bem tarde. Fizemos um jantar a la Macuse (tipo assim, macarrão com molho branco feito de cebola, óleo, pimenta preta, maizena, leite nido e sal), feijão e arroz. Best food ever! rs

Quero voltar pra minha vida de lá, aonde o tempo passa devagar e cada segundo é sentindo com um suspiro a relaxar.